Brevidade

outubro 22, 2008

Minha cabeça não funciona direito. Calma, não é bem assim. Não quero ser mal interpretado. Estou plenamente em ordem com as minhas faculdades mentais. Raciocino, analiso e critico; aprendo com os erros e tenho noção das consequências de todas as atitudes que possa tomar.

No entanto, há algo que me deixa inquieto. É difícil conseguir me concentrar em algo, sem deixar de permitir que meus pensamentos fujam ao foco e, quando percebo, uma série de imagens e sons aleatórios já passaram pelo meu inconsciente. Retomo o foco, mas tudo acontece de novo.

Não acredito que seja algum tipo de patologia ou ainda um princípio de loucura. Dada a atual conjuntura de minha vida, acredito até ser razoável o que se passa.

Acordo todo dia bem cedo e vou para o estágio. Trabalho num ritmo frenético e, quando consigo respirar, tenho que sair correndo rumo à faculdade. Ainda, a quantidade de trabalho é tão grande que, às vezes, mal consigo chegar à tempo de assistir a aula. Vou direto para casa. Fatigado, morto-vivo. Essa é a minha rotina.

Vejo o dia passar pela janela da minha sala. Hoje o céu está limpo lá fora. O sol me aqueceu hoje pela manhã, no trajeto do ponto de ônibus para o escritório. E só. Tudo lá fora está em movimento, e eu aqui, estático, sentado, nesse belo marasmo.

Tenho a sensação que a vida está passando e devo fazer algo para acompanhá-la. Essa é a grande questão: o que fazer? Por isso estou, ou sou, inquieto. Quero ser apenas mais um, que se entregou à rotina e seguiu conforme a correnteza, ou aquele que nadou contra a correnteza, bebeu bastante água, bateu com a cabeça na pedra, quase se afogou, mas chegou à outra margem do rio?

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